Saiba mais sobre as características, sinais e peculiaridades que compõem esse espectro neurológico.

O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, ou seja, do desenvolvimento do cérebro, que se manifesta desde a infância e permanece por toda a vida, Afetando a maneira como os estímulos sensoriais e a comunicação são vivenciados por uma criança, adolescente, adulto ou idoso autista bem como a forma que essa pessoa percebe e interage com o mundo e com as pessoas ao seu redor.
Entre os profissionais de saúde o autismo é chamado de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), pois abrange uma amplitude de características em maior ou menor profundidade que impactam a comunicação e a interação social, e os padrões de comportamento.
Se você acha que a sua criança pode ter autismo, saiba mais sobre os sinais do autismo e como isso pode ser avaliado em Triagem e diagnóstico.
O autismo afeta um indivíduo ao longo da vida, vale lembrar que não é correto utilizar o termo sintomas de autismo, pois o autismo é um transtorno, o termo sintomas remete a doença, que não e o caso do autismo! As pesquisas mostram que o diagnóstico precoce pode levar à melhoria da qualidade de vida. Os comportamentos do autismo podem ser aparentes na infância, mas geralmente tornam-se mais claros durante a primeira infância. Como parte de uma consulta regular de saúde, o médico do seu filho deve realizar exames de desenvolvimento focados no autismo. Esta triagem é recomendada aos 18 e 24 meses para todas as crianças.
Achar difícil se comunicar e interagir com as pessoas;
Achar difícil compreender as expressões faciais e as emoções dos outros;
Encontrar luzes intensas e alguns ruídos desconfortáveis e até dolorosos;
Se sentir inseguro e ansioso em situações novas e odeia surpresas;
Ter dificuldade de conter impulsos, especialmente em situações estressantes;
Demorar mais para compreender uma informação ou uma tarefa;
Fazer as mesmas coisas repetidamente;
Apresentar variações na intensidade dos comportamentos, apesar do autismo ser algo que estará presente por toda a vida.

Em 2023, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) publicaram seu relatório de prevalência do autismo, a prevalência mais recente é de 1 em 36 crianças, o que indica um aumento na identificação de casos de autismo.
O aumento deve principalmente à disseminação de informações sobre a condição e à conscientização das famílias e profissionais da educação e saúde. Tão mais precoce seja o diagnóstico e a intervenção, melhores as possibilidades de desenvolvimento da criança.
• O relatório concluiu que a prevalência do autismo aumentou para 1 em cada 36 – mais de três vezes superior à taxa de 2004 de 1 em 125.
• As crianças que recebem um diagnóstico de autismo aos 4 anos têm cinquenta vezes mais probabilidade de receber serviços.
• Atualmente, os meninos também têm aproximadamente 4 vezes mais probabilidade de ter um diagnóstico de autismo do que as meninas da mesma idade. No entanto, pesquisas recentes sugerem que as meninas podem não apresentar características de autismo da mesma forma que os meninos.

O autismo é amplo em sua apresentação e a manifestação das características é única em cada pessoa, mas com o objetivo de encaminhar tratamentos e estimulações de forma mais abrangentes, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) apresentou uma divisão do TEA em 3 categorias, essa categorização tem como objetivo principal fornecer uma linguagem comum para descrever as necessidades de apoio de cada indivíduo com autismo, considerando, sobretudo, suas habilidades de comunicação social e comportamentos restritos e repetitivos. Vamos explicar cada um desses níveis de suporte, clique nos quadros do Nível de Suporte 1, 2 e 3 para saber mais:
Fala bem, mas necessita de adaptações e suportes para determinadas atividades:
Pessoas no Nível 1 do espectro autista conseguem, até certo ponto, interagir em contextos sociais, mas enfrentam dificuldades notáveis sem o suporte adequado. Tendem a ter desafios significativos com a comunicação social que podem ser evidentes na falta de iniciativa em interações ou dificuldade em entender sutilezas no contexto social. Além disso, podem apresentar resistência a mudanças na rotina ou no ambiente, bem como limitações no planejamento e organização pessoal. São indivíduos que, com apoio focado, podem melhorar consideravelmente suas interações sociais e autonomia.
Fala pouco, requer bastante suporte para atividades cotidianas:
Pessoas no Nível 2 requerem um suporte mais acentuado para as interações sociais e a comunicação. Eles podem utilizar formas de comunicação mais simples, como frases curtas, e suas conversas frequentemente giram em torno de interesses específicos. A dificuldade com a comunicação não verbal (por exemplo, uso limitado de gestos ou expressões faciais) também pode ser significativa. Tendem a mostrar uma inflexibilidade marcante no comportamento, com padrões restritos e repetitivos de ação que são óbvios para quem os observa e afetam o desempenho em uma variedade de contextos.
Não falante ou fala poucas palavras, requer suporte total para atividades cotidianas.
Pessoas no Nível 3 manifestam desafios mais intensos, com deficiências graves tanto na fala como na comunicação verbal e não verbal, restringindo severamente a capacidade de iniciar e manter interações sociais. Suas respostas a tentativas de comunicação externas são mínimas, muitas vezes limitando-se a satisfazer necessidades básicas e individuais. A rigidez em comportamento é extrema e há uma grande dificuldade em lidar com mudanças de qualquer tipo, interferindo marcadamente na vida cotidiana em todas as áreas. A intervenção e o apoio constantes são cruciais para esses indivíduos.
Muitas vezes, pessoas autistas podem também apresentar outras condições de saúde simultaneamente. Essas situações adicionais são conhecidas como comorbidades.
É importante entender que essas comorbidades podem variar bastante de pessoa para pessoa, afetando diferentes aspectos da saúde física, mental ou emocional. A presença de comorbidades pode impactar a experiência individual de uma pessoa autista, influenciando suas necessidades de cuidados e intervenções.
Epilepsia
Distúrbios sensoriais
Distúrbios gastrointestinais
Distúrbios do sono
TDAH
Ansiedade
Seletividade alimentar
Deficiência intelectual
Dislexia
Depressão

As causas do autismo ainda são desconhecidas. As pesquisas estão em andamento para entender melhor, mas não há clareza definitiva até o momento.
Sabe-se que há uma forte influência genética, visto que em algumas famílias ocorre uma prevalência maior de casos autistas, transmitindo um componente hereditário. No entanto, a interação entre fatores genéticos, ambientais e neurobiológicos ainda está sendo estudada para esclarecer completamente as origens do autismo.
O autismo NÃO é causado por vacinas
O autismo NÃO é causado pela falta de carinho da mãe na infância
O autismo NÃO é causado por telas (celulares, televisão, computadores, etc...)
Desde 2007, o dia 2 de abril foi designado como o Dia Mundial da Consciência do Autismo pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
Essa decisão foi tomada para enfatizar a necessidade de aumentar a conscientização e a compreensão do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em todo o mundo, marcando assim uma observância anual para chamar a atenção e estimular iniciativas globais que apoiam pessoas com autismo e suas famílias.
A escolha do dia 2 de abril fez parte de uma iniciativa mais ampla para promover os direitos e o bem-estar das pessoas com autismo, visando fomentar uma sociedade solidária e inclusiva.
